
Última atualização: 25 de setembro de 2026.
A mesma semana em que a Microsoft revelou a nova app unificada Copilot, com Home, Code e Autopilot a tentar meter IA em tudo o que fazes no Word, no Excel ou no Teams, é boa altura para lembrar que a empresa já tinha feito o oposto noutro sítio: na Xbox. Em maio de 2026, a Microsoft matou o Copilot for Gaming no console e começou a desativá-lo no telemóvel. Não foi silenciado, foi anunciado publicamente pela própria CEO da Xbox.
O que era o Copilot for Gaming
Foi apresentado na GDC em março de 2025 como um “sidekick” de IA em tempo real: dava dicas de jogo, ajuda para passar um chefe difícil, e resumos da sessão de jogo. Chegou primeiro em beta à app da Xbox no telemóvel, depois ao Game Bar do Windows 11 em setembro, e ao portátil ROG Xbox Ally. Em outubro de 2025, teve um problema sério de privacidade: descobriu-se que enviava dados da atividade do ecrã para os servidores da Microsoft por defeito, sem aviso claro ao utilizador.
Porque é que a Xbox desistiu
A 5 de maio de 2026, Asha Sharma, CEO da Xbox desde fevereiro (depois da saída de Phil Spencer), anunciou numa mensagem à equipa e publicamente no X: “vamos começar a retirar o Copilot no telemóvel e parar o desenvolvimento do Copilot na consola.” Junto com o anúncio, vieram cortes de liderança e a entrada de vários executivos vindos da divisão CoreAI da Microsoft.
Sharma justificou a decisão com a necessidade de “a Xbox mover-se mais depressa, aprofundar a ligação com a comunidade, e resolver a fricção” tanto para jogadores como para developers. O timing não é coincidência: a receita da Xbox tinha caído pela quarta vez em seis trimestres, com a receita de hardware a descer 33%. Cortar uma funcionalidade de IA que teve um escândalo de privacidade e pouca adoção visível encaixa bem numa limpeza de prioridades.
O contraste com esta semana
É difícil não notar a ironia: a mesma empresa que está a apostar tudo numa app Copilot unificada para o trabalho (Home, Code, Autopilot, cobrança por utilização) já tinha concluído, meses antes, que meter IA num produto de consumo nem sempre resulta. A diferença provavelmente está no problema que cada um resolve: o Copilot no Office tem uma proposta de valor clara (poupar tempo em tarefas repetitivas), enquanto o Copilot for Gaming nunca teve uma razão óbvia para existir dentro da experiência de jogar, e ainda teve o problema extra da privacidade.
O que isto diz sobre a estratégia de IA da Microsoft
A Microsoft não está simplesmente a “meter IA em tudo” sem critério, apesar de por vezes parecer isso. Está disposta a cortar onde a adoção não aparece e a duplicar a aposta onde vê sinal de procura real, mesmo que isso signifique retirar uma funcionalidade só um ano depois de a ter anunciado com pompa numa conferência. Vale a pena lembrar isto sempre que uma empresa de tecnologia anuncia “IA em [produto X]”: nem tudo o que é lançado fica.
Perguntas Frequentes
O que aconteceu ao Copilot for Gaming, resumido?
Foi anunciado com destaque em março de 2025, teve um escândalo de privacidade em outubro desse ano, e foi cancelado na consola e reduzido no telemóvel em maio de 2026, pouco mais de um ano depois de nascer.
Ainda existe nalgum sítio?
Sharma não esclareceu o que acontece à versão do Game Bar do Windows 11 nem à do ROG Xbox Ally, só confirmou o fim do desenvolvimento para consola e a retirada gradual do telemóvel.
Isto está relacionado com a nova app desta semana?
Não diretamente, são equipas e produtos diferentes dentro da Microsoft. Mas mostra que a empresa trata o Copilot de forma diferente consoante o produto, não é uma aposta uniforme em todo o lado.
Porque é que o Copilot for Gaming teve um problema de privacidade?
Em outubro de 2025, descobriu-se que enviava dados da atividade do ecrã para os servidores da Microsoft por defeito, sem que isso fosse suficientemente claro para quem o ativou.
Fontes
- Windows Central, anúncio de Asha Sharma, 5 de maio de 2026
- Tom’s Hardware, histórico do Copilot for Gaming e contexto de receita da Xbox
- PC Guide, cronologia do lançamento em beta