Dreams of Violets
O Primeiro Filme 100% Feito com IA a Chegar a um Festival Major
Sem atores, sem set, sem câmaras — só ferramentas de IA. Vê exatamente quais tecnologias foram usadas para criar o primeiro longa-metragem gerado por IA a estrear no Tribeca Film Festival.
Dreams of Violets
Um filme da Fountain 0 · Tribeca Film Festival 2026
Ver site oficial →Em junho de 2026, o Tribeca Film Festival — um dos festivais de cinema mais respeitados dos EUA — programou algo sem precedentes: um longa-metragem de 75 minutos onde absolutamente tudo, desde os “atores” até aos cenários, foi gerado por inteligência artificial. Chama-se Dreams of Violets, e o processo por trás dele diz muito sobre onde as ferramentas de IA que já cobrimos neste site estão a chegar.
De que trata o filme
Dreams of Violets é uma dramatização ficcionada do massacre civil no Irão de janeiro de 2026, realizado pelos irmãos Ash e Pooya Koosha através da produtora Fountain 0, criada por eles. Ash Koosha vive fora do Irão e não teve acesso físico ao país, às localizações nem às pessoas retratadas — cada imagem e cada personagem do filme foi gerada a partir de relatos jornalísticos, fotografias e testemunhos, não de filmagem real.
As ferramentas usadas, uma a uma
A produção baseou-se em cinco sistemas de IA distintos, a maioria já coberta neste site:
🎥 Kling AI — geração de vídeo
Responsável por transformar os frames estáticos gerados noutras ferramentas em vídeo em movimento — o motor visual do filme.
✍️ Claude (Anthropic) — edição de linguagem
Usado para trabalho de guião e edição de texto ao longo da produção. Vê a nossa review completa do Claude se quiseres perceber melhor esta ferramenta.
🍌 Google Nano Banana — imagens
Geração das imagens e frames principais que serviram de base visual ao filme.
🔍 Google Gemini — pesquisa e imagem
Apoio na investigação de contexto histórico/jornalístico e geração adicional de imagens.
⚙️ Tecnologia própria da Fountain 0
Sistema proprietário para “blocking” (posicionamento das personagens em cena) e precisão entre frames.
Como as “vozes” foram criadas
Um dos detalhes mais reveladores do processo: Ash Koosha gravou ele próprio a voz de todas as personagens do filme, e só depois usou IA para as alterar — transformando a sua própria voz para soar como uma mulher na casa dos 20 anos, ou um homem mais velho, consoante a personagem. Outros cineastas que trabalham com IA têm optado por atores de voz reais em vez deste método; segundo Koosha, cada equipa está a desenvolver o seu próprio processo nesta fase ainda muito experimental da indústria.
💬 A reação da indústria
A cofundadora do Tribeca, Jane Rosenthal, descreveu o filme como um exemplo de como tecnologias emergentes podem servir a narrativa humana, não substituí-la. Ao mesmo tempo, a inclusão do filme gerou debate genuíno sobre até que ponto um docudrama mantém impacto quando nada do que se vê aconteceu fisicamente — a própria audiência foi convidada a focar-se no tema do filme, não em como foi feito.
Porque é que isto importa para quem usa estas ferramentas hoje
Dreams of Violets não é só uma curiosidade de festival — é prova de conceito de que um filme inteiro, com narrativa complexa e tema sensível, pode nascer da combinação de ferramentas que qualquer pessoa consegue assinar hoje. Os irmãos Koosha argumentam que isto abre portas a cineastas independentes sem acesso a financiamento tradicional — o maior obstáculo à realização de filmes deixa de ser o dinheiro para equipa e equipamento, e passa a ser saber orquestrar bem as ferramentas certas.
Conclusão
Independentemente da posição de cada um sobre o debate ético e artístico que isto levanta, Dreams of Violets marca um ponto de viragem visível: as ferramentas de IA generativa deixaram de servir só para protótipos ou conteúdo de redes sociais, e já produzem um longa-metragem inteiro, aceite num festival de cinema de primeira linha. Vale a pena seguir de perto o que a Fountain 0 fizer a seguir — os irmãos Koosha já confirmaram mais dois filmes em produção.