Última atualização: 20 de outubro de 2026.
O Meta Muse é o nome que a empresa deu à nova geração de modelos de IA lançada a partir de 2026. Se procuraste “Meta Llama 4” à espera de encontrar a IA mais recente da Meta, já chegaste um passo atrasado. Desde abril de 2026, a Meta lança quase tudo sob uma marca nova, Muse, criada pela recém-formada Meta Superintelligence Labs. O Llama continua a existir e continua gratuito, mas deixou de ser a linha da frente. A 8 de setembro de 2026, a marca ganhou o seu produto mais ambicioso até agora: o Muse, um agente de IA pessoal que já não só responde, executa tarefas a sério. E a 12 de outubro chegou o Muse Wonder, a primeira família de modelos de fronteira da Meta. Eis o que cada produto Muse faz, o que custa e onde o encontras, incluindo se já chega a Portugal e ao Brasil.
Muse Wonder: o novo modelo de fronteira da Meta (12 de outubro de 2026)
O Muse Wonder é a família de modelos mais capaz que a Meta lançou até hoje e chega em duas versões: Muse Wonder e Muse Wonder Full, a maior. Foi construído sobre o Muse Spark e pensado para agentes, ou seja, IA que executa tarefas por ti. Os exemplos dados pela Meta são tratar de uma participação de seguro, perceber um contrato de arrendamento ou construir uma app que funcione.
A Meta destaca duas capacidades novas: Active Memory, que guarda o que é relevante entre conversas, e Active Focus, que mantém o modelo a trabalhar no objetivo quando a tarefa complica, tenta outras abordagens e pede confirmação antes de passos importantes. Segundo a imprensa especializada, ambos os modelos têm uma janela de contexto de 1 milhão de tokens.
- Quem pode usar hoje: programadores, através da Meta Model API e do Muse Code. O Muse Wonder Full está reservado a assinantes do Muse Code
- Preço (API): 4 USD por milhão de tokens de entrada e 20 USD por milhão de saída, segundo a Notebookcheck e a Decrypt (o anúncio da Meta não indica preços)
- Na app Muse: chega “em breve”, primeiro para assinantes pagos. Não há data para utilizadores gratuitos
- Portugal e Brasil: a app Muse continua limitada aos EUA e ao Canadá, por isso, na prática, o Muse Wonder ainda não está ao alcance de utilizadores comuns em Portugal ou no Brasil
É mesmo o melhor modelo do mercado? A Meta diz que sim, mas com números próprios: no índice interno da empresa, o Wonder Full aparece à frente do Claude Opus 5.5 e do GPT-6 Astra, e a Meta não explica como esse índice é calculado. Na avaliação independente da Artificial Analysis, citada pela Notebookcheck, o quadro é mais modesto: o Wonder Full empata com o Claude Sonnet 5.5 e fica ligeiramente abaixo do Claude Opus 5.5, e o Wonder standard fica um ponto abaixo do GPT-6 Astra. A Meta chegou perto do topo, mas não o ultrapassou. O relatório completo de segurança também ainda não foi publicado.
Se programas e queres testar, o caminho mais direto é o Muse Code, que comparámos com a concorrência no artigo Claude Code vs Cursor vs Muse Code vs Devin Desktop. Para quem só quer conversar com uma IA grátis, o Muse Wonder ainda não muda nada.
Muse Spark Open: o Spark com pesos abertos (15 de outubro de 2026)
Três dias depois do Wonder, a Meta publicou os pesos do Muse Spark, chamando-lhe Muse Spark Open. É um modelo multimodal com 816 mil milhões de parâmetros no total, dos quais 42 mil milhões ativos de cada vez, e uma janela de contexto de 1 milhão de tokens. Os pesos estão no Hugging Face e também nas plataformas SageMaker, Google Cloud Model Garden e Microsoft Foundry. Quem não quiser alojar o modelo pode usá-lo por APIs de terceiros, como Together AI, Fireworks, Groq ou OpenRouter.
- Licença: é “open-weight”, não open source. Usa a Muse Model License da Meta, com termos comerciais limitados. Segundo um resumo de terceiros do cartão do modelo (a confirmar no texto da licença), quem oferece modelos de IA como produto a terceiros e passa os 20 milhões de dólares de receita anual tem de acordar condições com a Meta. Também exige a menção “Built with Muse Spark Open” e proíbe usos como atividade ilegal, armas e violação de privacidade
- Hardware: o próprio exemplo da Meta usa dois Mac Studio com M5 Ultra e 512 GB de memória cada. Num computador normal, não corre. Para a maioria das pessoas, a via realista é uma API de terceiros
- Benchmarks: a página da Meta remete os números para um relatório de metodologia à parte. Não os repetimos aqui sem os ter lido
Para quem quer uma IA da Meta que corra mesmo em casa, o Muse Glimmer (30 mil milhões de parâmetros, Apache 2.0) continua a ser a opção prática. O Spark Open interessa sobretudo a empresas e programadores com infraestrutura própria ou que queiram um modelo aberto de grande escala por API.
Muse, o agente de IA pessoal (lançado 8 de setembro de 2026)
Este é o lançamento mais recente e o que mais se afasta dos outros produtos Muse: em vez de um assistente que responde a perguntas, o Muse (a app, disponível em muse.ai, iOS, Android e via WhatsApp) é descrito pela própria Meta como um “agente de IA pessoal seguro e privado” que executa tarefas reais em teu nome, enviar emails, marcar viagens, fazer compras, negociar, mesmo depois de fechares a app. Usa o Muse Spark como motor (o Muse Wonder vai chegar em breve, primeiro para assinantes), corre numa máquina virtual dedicada (Muse Secure VM) e pede aprovação explícita antes de ações sensíveis.
- Preço: gratuito para a maioria dos casos de uso; planos Power ($20/mês) e Maximum ($100/mês) para quem precisa de mais capacidade
- Onde está disponível: nos EUA desde 8 de setembro e no Canadá desde 18 de setembro de 2026 (app iOS/Android, muse.ai, WhatsApp). Chega no futuro também aos óculos de IA da Meta
- Portugal e Brasil: sem data anunciada. Nem o comunicado oficial da Meta nem a cobertura da imprensa internacional mencionam expansão para a Europa ou a América Latina. Para já, só funciona nos EUA e no Canadá
Vale notar a diferença de escala de ambição: os outros produtos Muse (Spark, Image, Code, Glimmer) são modelos ou funcionalidades dentro do Meta AI. O Muse agente é uma aplicação própria, à parte, pensada para competir diretamente com agentes pessoais de outras empresas. Ver secção de Perguntas Frequentes abaixo para mais detalhes sobre a chegada a Portugal e Brasil.
Meta Muse: Porque é Que a Empresa Trocou de Marca
A Meta Superintelligence Labs é a divisão criada pela empresa em 2026 para concentrar o desenvolvimento de IA de fronteira, separada da equipa original do Llama. Na prática, isto significa duas linhas de produto em paralelo: o Llama continua como a família open-source, pensada para developers correrem os modelos onde quiserem; o Muse é a marca nova, com quatro produtos distintos e nem todos gratuitos.
Muse Spark — o motor por trás do assistente Meta AI
Lançado a 8 de abril de 2026, o Muse Spark é descrito pela própria Meta como o modelo mais avançado que já construíram. É multimodal (texto, imagem e voz), tem raciocínio visual passo a passo, uso de ferramentas e consegue orquestrar várias tarefas em paralelo.
- Onde está: já é o motor por trás do assistente Meta AI em meta.ai, na app Meta AI, e a chegar a WhatsApp, Instagram, Facebook, Messenger e Threads
- Preço: grátis para usar, basta uma conta Meta (Facebook ou Instagram)
- Funcionalidades novas: modo de compras com contexto de criadores, geração de páginas web e mini-jogos simples a partir de descrição em texto, respostas a perguntas de saúde comuns
Sobre esta última funcionalidade: uma resposta de IA sobre saúde não substitui uma consulta médica, seja qual for a ferramenta. Trata a resposta como ponto de partida, não como diagnóstico.
Muse Image — geração de imagens grátis, com um problema de consentimento já resolvido (em parte)
Apresentado a 7 de julho de 2026, o Muse Image é o primeiro gerador de imagens próprio da Meta Superintelligence Labs, disponível grátis na app Meta AI, no WhatsApp e nas stories do Instagram.
Três dias depois do lançamento, a Meta teve de recuar numa funcionalidade: era possível mencionar qualquer conta pública do Instagram num pedido e gerar imagens a partir das fotos reais dessa pessoa, sem que ela tivesse dado consentimento nenhum — todas as contas públicas estavam inscritas por defeito. Depois de reclamações de utilizadores e de associações da indústria de Hollywood, a Meta removeu essa funcionalidade específica do Instagram. O acesso ao Muse Image em si, via WhatsApp e app Meta AI, não foi afetado.
Se este tipo de uso das tuas fotos te preocupa, o ponto relevante não é esta funcionalidade em particular (já removida), mas a política mais ampla de treino com conteúdo público — tratamos isso em detalhe no post sobre como recusar o treino da Meta AI, incluindo os passos concretos para Portugal e Brasil.
Muse Code — agente de programação, este já não é grátis
Lançado em agosto de 2026 e ainda em beta, o Muse Code é o agente de programação da Meta, pensado para planear alterações, escrever código e validar os resultados em bases de código grandes — a resposta directa da Meta ao Claude Code e ao Codex da OpenAI.
- Preço standard: cerca de 1,25 USD por milhão de tokens de entrada e 4,25 USD por milhão de tokens de saída, via Meta Model API
- Nível “Contributor”: muito mais barato (cerca de 0,10 USD de entrada e 0,20 USD de saída por milhão de tokens), mas exige aceitares partilhar os teus dados de uso com a Meta
Ao contrário do Spark e do Image, não há aqui uma opção gratuita simples para uso ocasional — é uma ferramenta de developer, cobrada por consumo.
Muse Glimmer — o único que é mesmo como o Llama
Lançado a 10 de agosto de 2026 sob licença Apache 2.0, o Muse Glimmer é um modelo denso multimodal de 30 mil milhões de parâmetros, feito por destilação a partir do Muse Spark (um modelo maior a “ensinar” um mais pequeno), pensado para correr offline num computador comum.
- Preço: download grátis no Hugging Face — pagas apenas o custo de eletricidade/computação do teu próprio equipamento
- Como correr: via Ollama, LM Studio ou Unsloth, com suporte também em llama.cpp, ExecuTorch e MLX
Se o que procuravas era mesmo “uma IA grátis da Meta para instalar”, é este, não o Llama 4. Analisámos os benchmarks publicados e como (não) compara com o GPT-5.6 no artigo dedicado ao Muse Glimmer.
Comparação rápida
| Produto | Tipo | Grátis? | Onde acedes |
|---|---|---|---|
| Muse Wonder / Wonder Full | Modelo de fronteira para agentes | Não, cobrado por token (Wonder Full só com Muse Code) | Meta Model API e Muse Code; app Muse em breve |
| Muse Spark Open | Modelo open-weight de grande escala (816B) | Pesos gratuitos com licença limitada; hardware ou API pagos | Hugging Face, SageMaker, Model Garden, Foundry, APIs de terceiros |
| Muse (agente pessoal) | Agente de IA que executa tarefas | Sim para a maioria; $20 ou $100/mês para mais | Só EUA e Canadá: muse.ai, app iOS/Android, WhatsApp |
| Muse Spark | Assistente/raciocínio multimodal | Sim, dentro do Meta AI | meta.ai, app Meta AI, WhatsApp, Instagram, Facebook |
| Muse Image | Geração de imagens | Sim | App Meta AI, WhatsApp, stories do Instagram |
| Muse Code | Agente de programação | Não — cobrado por token | Meta Model API |
| Muse Glimmer | Modelo open-weight local | Sim, download livre | Hugging Face, via Ollama/LM Studio |
| Llama 4 (Scout/Maverick) | Modelo open-weight | Sim, uso comercial incluído | Download direto, via Ollama |
E o Llama 4, onde é que fica agora?
Continua vivo e continua gratuito — Scout e Maverick para download, com uso comercial livre até 700 milhões de utilizadores mensais na tua empresa. O Behemoth, o modelo maior anunciado em 2025, continuava sem lançamento público confirmado até agosto de 2026. Atualizámos a nossa review completa do Meta AI com o estado atual de ambas as famílias, Llama e Meta Muse.
Perguntas Frequentes
Quando chega o Muse (agente pessoal) a Portugal e ao Brasil?
Não há data anunciada. A Meta lançou o Muse nos EUA a 8 de setembro de 2026 e alargou-o ao Canadá a 18 de setembro, mas não anunciou nenhum calendário para a Europa ou a América Latina. Vamos atualizar este artigo assim que houver uma data oficial.
Posso usar o Muse Wonder em Portugal ou no Brasil?
Como utilizador comum, ainda não: a app Muse, onde o modelo vai chegar primeiro para assinantes, só funciona nos EUA e no Canadá. Programadores podem aceder pela Meta Model API e pelo Muse Code, mas a Meta não publicou a lista de países onde a API está disponível.
Muse Spark e Muse Glimmer são o mesmo modelo?
Não — o Glimmer é uma versão mais pequena, destilada a partir do Spark, pensada para correr localmente em vez de na cloud da Meta.
Preciso de conta paga para usar o Muse Image?
Não, é grátis dentro da app Meta AI, do WhatsApp e das stories do Instagram.
O Muse Code compete com quê?
Com o Claude Code e o Codex da OpenAI — é a entrada tardia da Meta nesse mercado, ainda em beta.
Fontes:
- Meta Research: Introducing Muse Spark Open (15 out 2026)
- Meta: Introducing Muse Wonder and Muse Wonder Full: Frontier Models for Agents (about.fb.com, outubro 2026)
- Notebookcheck: Meta Muse Wonder: Developers get it now, the Muse app skips Europe (outubro 2026)
- iPhone in Canada: Meta’s Muse AI Agent Is Now Available in Canada (setembro 2026)
- Meta — Introducing Muse: The World’s First Personal AI Agent Built for Everyone (about.fb.com, setembro 2026)
- Meta — Introducing Muse Spark (about.fb.com, abril 2026)
- Meta — Introducing Muse Image (about.fb.com, julho 2026)
- TechCrunch — Meta launches Muse Code, an AI agent for large code bases
- CNBC — Meta launches Muse Glimmer open-weight AI model
- Quartz — Meta pulls Muse Image AI photo feature from Instagram
- wwwhatsnew — Meta lanza Muse Image, su primer modelo propio de generación de imágenes, con una polémica inmediata
Achei interessante a comparação entre os novos modelos Muse e os anteriores da Meta. É curioso como a marca Muse parece representar uma evolução significativa na inteligência artificial. A sua explicação sobre como o modelo de Glimmer pode impactar o design foi bem elucidativa.
É interessante como a Meta está mudando sua abordagem com o lançamento do Meta Muse e os novos modelos de IA. A ideia de integrar diferentes funções como Spark e Glimmer sob uma única marca parece promissora e pode realmente facilitar a experiência do usuário. Estou curioso para ver como essas inovações vão impactar a indústria.