
Na feira Autocom 2026, em São Paulo, a Positivo Tecnologia mostrou pela primeira vez um terminal de pagamento que autentica a compra com a palma da mão em cerca de meio segundo, sem cartão, sem celular e sem PIN. Por trás da tecnologia está a PalmAI da Tencent, e o Brasil não é um caso isolado: já há duas frentes de lançamento ocorrendo ao mesmo tempo no país. Este artigo reúne tudo o que já se sabe sobre o Palm AI no Brasil: como a tecnologia funciona, quem está trazendo a tecnologia para o país e quando deve chegar às lojas.
Palm AI no Brasil: resposta rápida
A PalmAI é a tecnologia de reconhecimento biométrico da palma da mão da Tencent, desenvolvida pelos laboratórios YouTu Lab e AI Lab da empresa. Combina a impressão da palma (o padrão à superfície) com o padrão das veias por baixo da pele, verificando a identidade em cerca de meio segundo.
No Brasil, chega por duas vias: a Positivo Tecnologia integrou-a num terminal que junta Pix, débito e crédito, apresentado na Autocom 2026, com disponibilização às principais adquirentes prevista para a segunda metade de 2026; e a fintech brasileira Treeal já tem uma parceria ativa com a Tencent Cloud desde fevereiro de 2026, a levar pagamento por palma da mão a comerciantes brasileiros.
O que é, ao certo, a PalmAI
A PalmAI não lê apenas a superfície da mão, como uma impressão digital ampliada. Usa imagem multiespectral (RGB e infravermelho) para mapear dois sinais ao mesmo tempo: o desenho da palma e a estrutura das veias por baixo da pele. É esta combinação dupla que a Tencent aponta como argumento de segurança — o padrão das veias não é visível a olho nu nem fotografável, o que torna a falsificação muito mais difícil do que copiar uma impressão digital ou enganar um leitor facial com uma foto.
Segundo os dados que a Tencent publica nos seus estudos de caso, a verificação demora cerca de 500 milissegundos, com uma taxa de precisão de 99,9% nos ambientes de produção já em funcionamento. A tecnologia é desenvolvida internamente pela Tencent, com mais de 90 patentes já concedidas e outras 400 pendentes, segundo a própria empresa.
Quem está lançando a PalmAI no Brasil
Há duas implementações distintas em andamento, com parceiros e focos diferentes:
Positivo Tecnologia: o terminal Pix com leitura de palma
A Positivo, fabricante brasileira de hardware fundada em 1989 e presente em mais de 17 países da América Latina através da sua divisão de pagamentos, apresentou na Autocom 2026 um terminal Android que junta Pix, débito e crédito num único dispositivo, autenticado por palma da mão. O usuário registra a palma uma vez no terminal, associada à conta Pix ou ao cartão; nas compras seguintes, basta aproximar a mão do sensor.
Norberto Maraschin Filho, vice-presidente de Consumo e Mobilidade da Positivo, descreveu o objetivo como reduzir a fricção no checkout físico: “Esta tecnologia de ponto de venda integrada melhora a experiência do cliente ao aumentar a velocidade e reduzir a fricção. Integramos o módulo biométrico no terminal para simplificar as operações comerciais e, ao mesmo tempo, elevar os padrões de segurança.”
Vale referir que esta citação e os dados técnicos vêm do próprio estudo de caso publicado pela Tencent PalmAI — é uma fonte com interesse comercial direto no sucesso do produto, o que não invalida os factos concretos (datas, nomes, especificações), mas é justo dizê-lo com todas as letras.
Treeal: pagamento por palma para o comércio em geral
Em paralelo, a fintech brasileira Treeal fechou parceria com a Tencent Cloud, anunciada em fevereiro de 2026 em São Paulo e noticiada por veículos como a Yahoo Finance e a TechNode Global. Ao contrário da Positivo, que constrói hardware próprio, a Treeal posiciona-se como parceira local que leva a tecnologia PalmAI a comerciantes brasileiros para pagamento e controle de acesso — lojas, ginásios, espaços de coworking e locais de acesso restrito.
Como funciona, na prática
- Registro único. O cliente aproxima a palma do sensor uma vez, associando o padrão biométrico à conta Pix, débito ou crédito.
- Verificação por aproximação. Em compras seguintes, basta aproximar a mão do terminal — não é preciso tocar no aparelho.
- Confirmação em cerca de meio segundo. O sistema compara o padrão da palma e das veias com o registro guardado e autoriza a transação automaticamente.
Segundo o material técnico da Tencent, os dados biométricos são guardados como vetores matemáticos criptografados, não como imagens da mão — o que, em teoria, dificulta o reaproveitamento dos dados fora do sistema mesmo que haja uma fuga de informação.
Quando chega às lojas
Não há uma data única, porque são dois lançamentos com calendários próprios:
- Positivo: terminal apresentado na Autocom 2026 (São Paulo); disponibilização às principais adquirentes brasileiras prevista para a segunda metade de 2026, sem data exata anunciada.
- Treeal: parceria ativa desde fevereiro de 2026, já integrando comerciantes brasileiros ao serviço — não existe, para já, um número público de lojas já operacionais.
Onde mais pode aparecer
Além do checkout em loja física, a própria Positivo aponta outros cenários possíveis para o mesmo terminal: eventos e festivais, substituindo pulseiras e bilhetes físicos por reconhecimento de palma; hospitais e laboratórios, para identificação e pagamento do paciente; e instalações corporativas, unindo controle de acesso e pagamento interno no mesmo gesto.
E os dados biométricos ficam seguros?
Aqui vale a pena separar o que a Tencent promete do que ainda depende de cada empresa que implementar a tecnologia. A PalmAI é apresentada como alinhada com a LGPD (a lei brasileira de proteção de dados) porque o registro é opt-in e os dados são guardados como vetores criptografados, não como fotografias da mão. Isso é verdade ao nível da tecnologia da Tencent, mas cumprir a LGPD na prática depende de como cada comerciante, adquirente ou fintech implementa o sistema.
Vale perguntar sempre: se o consentimento é mesmo claro, se há alternativa sem biometria para quem recusar, e se a política de privacidade explica onde os dados ficam guardados. Nenhuma dessas garantias vem automaticamente incluída só por a tecnologia de base ser tecnicamente segura. Já explicamos, em detalhe, como avaliar se uma ferramenta digital trata os seus dados com cuidado no nosso guia sobre como impedir que a IA use os seus dados para treinar.
Vale também referir a diferença em relação ao Pix tradicional: o Pix já tinha mais de 200 milhões de usuários em português no Brasil antes de qualquer destes lançamentos, porque resolve um problema imediato (transferências grátis e instantâneas). O pagamento por palma da mão resolve um problema mais pequeno — economizar alguns segundos no checkout físico — e pede ao usuário um passo extra que o Pix nunca pediu: registrar um dado biométrico num terminal de loja. Se essa troca vai convencer o consumidor brasileiro em massa é uma pergunta em aberto, não um dado adquirido.
Para resumir
O Palm AI no Brasil está mesmo se confirmando, por duas vias diferentes: a Positivo Tecnologia, com um terminal Pix próprio ainda sem data fixa de lançamento comercial (segunda metade de 2026), e a Treeal, já em parceria ativa desde fevereiro. A tecnologia em si — reconhecimento duplo de palma e veia, verificação em meio segundo — está bem documentada e tem números concretos por trás. O que ainda não está testado é a adoção: um sistema que pede ao consumidor um registro biométrico novo, num país onde o Pix já resolveu o problema de pagar sem fricção pelo celular.
Sources:
– PR Newswire — Tencent Cloud and Treeal Partnership Brings Next-Gen PalmAI Service to Brazil
– Tencent PalmAI — How Positivo Tecnologia Launched a Palm-Based Biometric Payment Terminal for Pix in Brazil
– Tencent PalmAI — Treeal Brings Palm Payment to Brazil
– Yahoo Finance — Tencent Cloud and Treeal Partnership Brings Next-Gen PalmAI Service to Brazil
– TechNode Global — Tencent Cloud and Treeal Partnership Brings Next-Gen PalmAI Service to Brazil
É impressionante como a tecnologia de pagamento por biometria da palma da mão está se desenvolvendo. Em apenas meio segundo, poderemos realizar compras sem precisar de cartões ou celulares!
Estou curioso para ver como essa tecnologia de pagamento por biometria da palma da mão funcionará na prática. Será que a segurança vai ser garantida?